Milson Luiz Brandao

A INDISCIPLINA E EVASÃO NA EDUCAÇÃO BÁSICA

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo fazer uma revisão de literatura sobre a indisciplina e a evasão na educação básica brasileira. Usou- se como parâmetro trabalhos acadêmico que analisaram o efeito da indisciplina nas escolas e a evasão escolar em diferente nível de escolaridade, também foi abordado a papel da escola diante da indisciplina e o diálogo com país a respeito tanto da evasão escolar quanto da indisciplina. Destacou-se também o processo de afetividade entre professores e alunos e importância da capacitação do professor para enfrentar estes desafios nas escolas.

Palavras Chaves: Indisciplina, evasão, educação básica, formação profissional.

ABSTRACT

This study aimed to review the literature on indiscipline and evasion in the Brazilian basic education. Used in academic works as if parameter that analyzed the effect of indiscipline in schools and dropout at different levels of education , has also addressed the role of the school in the face of indiscipline and dialogue with the country regarding both the truancy as indiscipline . Also highlighted the process of affection between teachers and students and the importance of training teachers to meet these challenges in schools.

Key words: Indiscipline, evasion, basic education , vocational training .

1. INTRODUÇÃO

A indisciplina escolar constitui um dos desafios mais críticos com os quais se defrontam as instituições de educação básica, públicas e privadas, neste País. Ela abrange diversas formas e mecanismos de expressão, e reflete um grande grupo de causas de diversas naturezas. Nas escolas, a indisciplina não constitui apenas um fenômeno atrelado a determinados comportamentos de indivíduos particulares, mas pode ser pensada como um fenômeno cultural, bem como institucional.

A indisciplina é considerada um dos fatores que influenciam o fracasso escolar. Não obstante a este fato, hoje em dia é muito comum ouvirmos relatos de professores desgastados pela falta de disciplina de seus alunos, atitudes geradoras de violência dentro e fora de sala de aula. Professores que desanimam e amedrontam-se frente a situações de indisciplina em sala de aula

A evasão escolar é um problema crônico em todo o Brasil, sendo muitas vezes passivamente assimilada e tolerada por escolas e sistemas de ensino, que chegam ao cúmulo de admitirem a matrícula de um número mais elevado de alunos por turma do que o adequado já contando com a "desistência" de muitos ao longo do ano letivo. Do total de crianças e adolescentes em idade escolar, já se sabe que destes, uma significativa parcela não irá concluir seus estudos naquele período, em prejuízo direto à sua formação e, é claro, à sua vida, na medida em que os coloca em posição de desvantagem face os demais que não apresentam defasagem idade-série.

Diante de tantos obstáculos que se colocam entre professores e educação, alguns se mostram descrentes que as situações de indisciplina e evasão, e até de violência, possam ter solução. Aferrados aos seus conceitos de educação e comportamento dentro da sala de aula, recusam a repensar sua prática. Alguns professores alegam que o interesse por aparelhos celulares, internet, televisão e toda sorte de entretenimento afasta os alunos das salas de aula. Já e evasão escolar é baseada em diversas causas, que vão desde a necessidade de trabalho do aluno, como forma de complementar a renda da família, até a baixa qualidade do ensino, que desestimula aquele a frequentar as aulas, via de regra inexistem, exceções, mecanismos efetivos e eficazes de combate à evasão escolar tanto em nível de escola quanto em nível de sistema de ensino, seja municipal, seja estadual e federal. Boa parte dos dirigentes de estabelecimentos de ensino somente se deu conta da necessidade de tomarem medidas no sentido de providenciarem o retorno de seus alunos infrequentes aos bancos escolares com o surgimento da legislação de protege a criança e o adolescente.

A indisciplina e evasão na escola tem se revelado desde a Educação Infantil, deixando de ser uma manifestação apenas do Ensino Fundamental e Médio, tornando-se um dos maiores obstáculos pedagógicos da Educação Básica.

A indisciplina e a evasão na educação não podem ser vista como responsabilidade apenas das escolas. Tudo na sociedade pode ser e é pedagógico em sentido positivo ou negativo. Na família, no trabalho, nos meios de comunicação, na ação política, nos atos religiosos, em qualquer setor de atividade humana, estamos ensinando às novas gerações modelos e propostas de conteúdo técnico, político e moral. Isso é tão real na sociedade moderna, em que a criança está em contato com o mundo pela televisão, pela interação intensa com os adultos e pela internet.

2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

O objetivo desde trabalho é fazer uma descrição sobre a indisciplina e evasão na educação básica.

2.2 Objetivos específicos

Descrever as causas da indisciplina na educação básica,

Mostrar a importância da prática docente.

Destacar a importância da presença da família da vida escolar dos filhos.

Pesquisar sobre a evasão escolar em cada etapa do ensino escolar.

Compreender as causas da evasão escolar.

2. CONCEITO DE INDISCIPLINA

O termo (in) disciplina refere-se ao procedimento, ato, ou dito contrário a disciplina, desordem, rebelião. Sendo assim, (in) disciplinado é aquele que “se insurge contra a disciplina .”(Ferreira,1986.p.595). A indisciplina é e sempre foi um termo polêmico e um termo complexo, definido de diferentes formas por diferentes profissionais. É uma problemática antiga que envolve uma dificuldade de se estabelecer um consenso acerca do seu significado e de suas causas. (TORELLI, 2009).

Embora o problema da indisciplina seja uma preocupação constante das escolas, alunos e professores, a temática é ainda pouco explorada, sobretudo no Brasil, por pesquisas cientificas, ainda que a questão seja abordada de forma indireta em vários trabalhos que tenham como foco outras dimensões da vida escolar. (SILVA, 2007, p19)

Segundo Franzoloso (2011) a indisciplina escolar é um dos maiores obstrutores do processo de aprendizagem e suas manifestações são marcadas por uma variedade de causas, tipos e entendimentos diferentes, fazendo deste tema uma das questões mais intrigantes do âmbito social e educacional da atualidade. A discussão desta problemática está cada vez mais presente nas pesquisas e debates em Educação, objetivando sua compreensão e as melhores formas de intervenção e prevenção. A indisciplina está na contramão dessa concepção, ela se desdobra em forma de violência simbólica em todas as pontas da teia, os alunos ao serem excluídos pelos educadores e taxados como “problemas”, visualizam a falta de credibilidade dos adultos em sua vida. À medida que a escola torna-se um espaço de desinteresse para a criança e para o jovem, esta perde sua principal função de transmissora e socializadora do conhecimento. O sentimento de desajuste a vida escolar traz por parte dos alunos e dos pais, a desvalorização do profissional da educação que sofre uma minimização e desconsideração de seu papel no interior desse processo. Logo a escola torna-se um campo de pequenas batalhas cotidianas (SGANZELLA, 2012).

O próprio conceito de indisciplina, como toda criação cultural, não é estático, uniforme, nem tampouco universal. Ele se relaciona com o conjunto de valores e expectativas que variam ao longo da história, entre as diferentes culturas e numa mesma sociedade: nas diversas classes sociais, nas diferentes instituições e até mesmo dentro de uma mesma camada social ou organismo. Também no plano individual a palavra indisciplina pode ter diferentes sentidos que dependerão das vivências de cada sujeito e do contexto em que forem aplicadas. Como decorrência, os padrões de disciplina que pautam a educação das crianças e jovens, assim como os critérios adotados para identificar um comportamento indisciplinado não somente se transformam ao longo do tempo como também se diferenciam no interior da dinâmica social. (REGO, 1996, p. 84 apud DAMKE, 2007, p. 113-114)

A indisciplina tende a ser vista pelos participantes da escola como uma atitude de desrespeito, de intolerância aos acordos firmados, de intransigência, de não-cumprimento de regras capazes de pautar a conduta de um indivíduo ou um grupo. Dessa forma, o aluno indisciplinado não pode ser visto como aquele que questiona, se inquieta e se movimenta na sala, mas como aquele que não tem limites, que não respeita a opinião e sentimentos alheios, que apresenta dificuldades de entender o ponto de vista do outro e de se autogovernar, que não consegue compartilhar, dialogar e conviver de modo cooperativo com seus pares (REGO,1996). Na realidade atual, a questão da indisciplina escolar tem se tornado um grande desafio aos objetivos educacionais. A (in) disciplina escolar tem sido percebida de formas diferenciadas, mas sempre se mostra relacionada a regras e normas e à postura adotada pelos sujeitos nas diversas situações escolares, tanto na relação professor-aluno e aluno-aluno quanto nas formas de organização e gestão escolar e pedagógica, seja na sala de aula ou em outro espaço da escola ( PIROLA, 2009).

Para Vasconcelos (2001), a indisciplina é uma reação dos alunos decorrente do uso incorreto e do abuso da autoridade e superioridade do professor em relação à sala. Essa reação muitas vezes é apenas o silêncio dos alunos, mas também pode ser demonstrada por uma agressividade e rispidez que desafiam e testam os limites do professor. Em alguns casos, brincadeiras brutas, de caráter agressivo podem ser consideradas agressivas sem o serem, uma vez que o ato agressivo não envolve intenção de causar dano ao outro. Segundo Aquino (1996), a indisciplina é o pesadelo da maioria dos professores. Ela está sempre relacionada à agitação, a confusão e barulhos, ou seja, está ligada a uma ação que causa algum tipo de transtorno na aula e ao desvio comportamental do discente. Ela deve ser controlada imediatamente pelo professor para evitar que se transforme uma desordem geral da sala.

3. A EVASÃO ESCOLAR NO BRASIL

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 205, diz que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, assim como estabelece os princípios de igualdade de condições para acesso e permanência na escola (art. 206, inciso I). Esse direito é ratificado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/1996, a qual apresenta a organização do sistema educacional brasileiro. A despeito do direito assegurado na CF de 1988, a realidade da educação brasileira é permeada por problemas seculares, ainda não resolvidos na atualidade. Esses problemas dizem respeito àqueles que foram configurados como fracasso escolar, isto é, a repetência e a evasão escolar.

Segundo Cortella (2006) a educação, como direito objetivo de cidadania, fortalece a percepção de que, no momento em que as classes trabalhadoras passam a frequentar mais bancos escolares, os paradigmas pedagógicos, em execução, passam a ser insuficientes para dar conta plenamente desse direito social e democrático. O abandono à escola é composto então pela conjugação de várias dimensões que interagem e se conflitam no interior dessa problemática. Dimensões estas de ordem política, econômica, cultural e de caráter social. Dessa maneira, o abandono escolar não pode ser compreendido, analisado de forma isolada. Isto porque, as dimensões socioeconômicas, culturais, educacionais, históricas e sociais entre outras, influenciam na decisão tomada pela pessoa em abandonar a escola.

Barbeti (2007) em seu trabalho sobre a evasão escolar e seus significados para alunos, professores e família, compreendeu que a evasão escolar é determinada por uma complexidade muito grande de fatores, todas as percepções apresentadas pelas diferentes partes nos dão esta mostra. É possível que ao tomar contato com suas próprias percepções e do significado social das mesmas, pais, professores e os alunos passem a buscar nos determinantes sociais, as verdadeiras razões para este fenômeno do qual são atores principais. A evasão escolar se constitui como um problema que cresce cada vez mais, afetando principalmente as escolas públicas. O maior índice de evasão escolar está relacionado às necessidades dos jovens trabalharem para ajudar na renda da família, fazendo com que aumente cada vez mais o número de adolescentes deixando as salas de aula (SILVA & BRAGA, 2012).

Segundo Queiroz (2011), a evasão escolar, que não é um problema restrito apenas a algumas unidades escolares, mas é uma questão nacional que vem ocupando relevante papel nas discussões e pesquisas educacionais no cenário brasileiro, assim como as questões do analfabetismo e da não valorização dos profissionais da educação, expressa na baixa remuneração e nas precárias condições de trabalho. Devido a isso, educadores brasileiros, cada vez mais, vêm preocupando-se com as crianças que chegam à escola, mas que nela não permanecem. O problema da evasão escolar é uma questão que tem raízes históricas, associando-se a uma política imposta pelas elites, na qual peçam sucessivas intervenções do governo na mudança do sistema escolar (MENESES 2011).

Fernandes & Mesquita (2010), menciona que a evasão escolar é consequência de fatores socioculturais, econômicos ligados à política do município em estudo, o que se observa é que, a educação não tem sido plena no que se refere ao alcance de todos os cidadãos, assim como no que se refere à conclusão de todos os níveis de escolaridade. A evasão escolar vem adquirindo espaço nas discussões e reflexões realizadas pelo Estado e pela sociedade civil, em particular, pelas organizações e movimentos relacionados à educação no âmbito da pesquisa científica e das políticas públicas.

A evasão escolar é uma situação problemática que aflige todos os estados brasileiros, acredita-se que este quadro pode ser revertido com a utilização de uma política educacional séria, voltada à promoção de uma alfabetização em massa desenvolvida por uma ação coletiva de união. Deve-se priorizar uma apuração das reais dificuldades dos alunos, aos quais sofrem as consequências do processo de exclusão e buscar promover a formação de cidadãos críticos e conscientes.

3. EDUCAÇÃO BÁSICA

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional : lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 em seu artigo atribui à educação básica a finalidade de desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum essencial para exercer a cidadania, prosseguir seus estudos e ingressar no mercado de trabalho. Engloba a educação infantil, o ensino fundamental obrigatória de nove anos e uma educação básica média. A educação de jovens e adultos (EJA) é considerada uma modalidade da educação básica.

4. A INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Segundo Devries e Zan (1998, p. 281), as manifestações de indisciplina na educação infantil podem ser identificadas por atitudes como perturbações e interrupções das atividades escolares dos colegas ou de si próprios, reações agressivas e intolerantes e confrontações diárias com colegas ou mesmo com o professor. É na etapa da Educação Infantil que a criança estende suas relações sociais e adquire as primeiras noções de convivência com o coletivo. É nesta fase também que ela começa a desenvolver as noções de valores, de justiça e de moralidade, e a aprimorar seu desenvolvimento intelectual, motor e cognitivo. Nesta primeira etapa da Educação Básica, onde as crianças estão no início de seu desenvolvimento social, as noções de disciplina já começam a ser expostas e os atos de indisciplina já começam a aparecer. A indisciplina na etapa da Educação Infantil é manifestada de formas bem particulares e diferentes das que ocorrem em idades mais avançadas. No entanto, ao contrário do que alguns possam pensar, ela já existe desde que a criança entra na escola e vira uma das maiores preocupações dos professores desta etapa, que estão focados na estimulação do desenvolvimento da criança como um todo e na educação para a cidadania (FRANZOLOSO, 2011).

Segundo Gonçalves (s/data) o problema da indisciplina é um dos principais obstáculos enfrentados pelo professor em sua atuação em sala de aula, pois se percebe a falta de regras e limites por parte da criança desde a primeira infância. A criança que aprende desde pequena que o mundo é feito de regras, poderá se comportar de acordo com elas, mesmo sem a presença dos pais.

5. A INDISCIPLINA DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL

Figueiredo e Silva (2007) em suas pesquisas sobre a violência escolar mas séries iniciais do ensino fundamental, afirmam que a indisciplina pode aparecer no processo ensino-aprendizagem com diversas variações e proporções, considera-se esta pertinente à natureza humana, a princípio, até como uma forma de resistência à dominação e à submissão pretendida por algumas instituições e seus representantes. Mas, é certo que a mesma está sempre presente nas reclamações de professores e gestores, comprometendo a qualidade do ensino, interferindo nas relações professor-aluno, aluno-escola, escola – família e também escola-comunidade, enfim, comprometendo a fluidez, a efetivação e qualidade da prática pedagógica. Trata-se de uma temática que não é nova no campo educacional e no cotidiano de professores, porém, merece sempre novas reflexões.

Benette e Costa (2008) em sua pesquisa com professores e alunos de 5ª e 6ª serie diagnosticaram que a indisciplina é uma das maiores dificuldades pelas quais o professor enfrenta para efetivação do processo de ensino e aprendizagem no atual contexto. Quanto as respostas dos alunos, foi possível perceber que realmente existe pouco incentivo por parte das famílias quanto aos estudos devido aos mesmos viverem muito distantes dos pais porque saem de madrugada para trabalhar deixando os filhos a própria sorte. Muitas vezes os mais velhos cuidando dos irmãos menores. Muitos pais trabalham de bóias frias, cortadores de cana, e muitas mães trabalham como domésticas.

6. EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL

Para as autoras Abramovay e Castro (2003), citadas em Camargo & Rios (2012), o país caminha para a universalização e consolidação do ensino fundamental, cujo contingente de jovens é expressivo. Quando egressos do ensino fundamental, muitos desses jovens imbuídos do desejo de novas oportunidades ingressam no ensino médio, sendo responsabilidade do Estado atendê-los. Para tanto, torna-se fundamental reparar as deficiências do ensino médio, garantindo qualidade, democratizando-o e tornando-o digno para oferecer atendimento com plenitude aos jovens cidadãos. Contudo, o que se percebe é que a universalização da Educação Básica se depara com os inexpressivos avanços de qualidade e investimentos.

Costa (2004) realizou um estudo de caso numa unidade de ensino da rede municipal de Salvador e o resultado apontou a necessidade que os alunos têm de trabalhar e o cuidado com os filhos como os motivos mais marcantes da evasão escolar naquela unidade de ensino, o que fortalece o pensamento de que os governos das três esferas, municipal, estadual e federal, num trabalho conjunto, adotem medidas socioeconômicas para minimizar a evasão, principalmente no que tange ao trabalho como obstáculo à permanência na escola.

Veiga (2010) realizou uma pesquisa na escola municipal de 1º grau em jardim paulista, sobre a evasão escolar e o processo de ensino e aprendizagem, a autora destaca que um dos fatores que da evasão é a questão das aulas superlotadas; pois, dessa forma os professores não consegue dar a mesma atenção por igual a todos os alunos. A aula que muitas vezes já não é tão interessante se torna menos interessante ainda. Alunos não absorvem o conteúdo e ao chegarem em casa não encontram quem possa ajudá-los em suas tarefas, justamente porque os próprios pais, quando não alfabetizados, não aprenderam o suficiente a ponto de ensiná-los.

Para Fernandes (2007), a partir das políticas educacionais o fracasso escolar tem sido relacionado aos altos índices de evasão e reprovação nas escolas do ensino fundamental por todo país. Em relação às práticas pedagógicas e aos projetos políticos pedagógicos da secretaria de educação e das escolas, o fracasso escolar tem sido justificado pelas práticas avaliativas existentes nas escolas reforçadoras das diferenças entre as classes sociais, privilegiando aquelas que têm sua cultura identificada com os currículos escolares.

No trabalho de Torres (2010) é citado que a pesquisa Motivos da Evasão Escolar, editada pela Fundação Getulio Vargas - FGV-RJ, demonstrou que segundo dados apurados a evasão escolar tem como segunda principal causa o trabalho infantil com índice de 27% entre os jovens de 15 a 17 anos de idade. Tais índices apresentados pela pesquisa não surpreendem, pois trata-se de uma realidade antiga em nossa sociedade. Esta mesma pesquisa aponta que os dados relativos ao trabalho infantil como causa de evasão escolar teve um aumento indo de 22,75% para 27,09% (aumento superior à primeira causa falta de interesse).

7. INDISCIPLINA NO ENSINO MÉDIO

Adolescência é o período que separa a infância da vida adulta, momento de desequilíbrio e rupturas. Considerada uma fase do desenvolvimento humano, que vem desafiando professores e escolas que trabalham diretamente com eles. Segundo Winnicott (2005), o adolescente, geralmente encontra-se na fase em que precisa se firmar. “Os adolescentes têm sim problemas com os instintos, no entanto, mais importante do que isso é que eles querem ser alguém em algum lugar” (WINNICOTT, 2005, p. 123). “Dessa forma, muitas vezes, a indisciplina pode ser uma forma de expressão, sinalizando que algo não vai bem, o problema não é o da indisciplina, essa é um sintoma, a questão é o do sentido, da relação dos jovens com a escola e com o saber”. Acreditamos ser esse ponto, que requer maior dedicação de nossos estudos: pensar uma educação que passe pelo sentido e gere em nossos jovens outra noção de disciplina escolar. Se o aluno é indisciplinado, isso tem um sentido para ele, pode não ter para os professores. Um dos sentidos para ele pode residir, no reconhecimento dos seus pares (HADDAD E COSTA, 2011).

Gomes (2013) em seu trabalho sobre a visão dos professores do ensino médio, da rede estadual de Belo Horizonte, sobre o perfil de alunos considerados indisciplinados, nas últimas décadas, observou que a violência e a indisciplina que eles observam na escola seriam motivadas por fatores extremamente externos, ou seja, viria de “fora para dentro”. não foi abordado em nenhum momento das entrevistas fatores ligado a questões internas da escola, tais como, abordagem pedagógica, coordenação ou postura dos docentes. A autora ainda percebeu que a indisciplina era um fator que interferia nos processos de ensino-aprendizagem. Sendo comum a ida de alunos para a sala da supervisão a pedido dos professores que retiravam estes alunos de sala, devido aos seus comportamentos e atitudes. As queixas dos professores eram constantes com relação às turmas que eram consideradas indisciplinadas. E tornou-se um dos principais problemas enfrentados pela gestão da escola.

8. EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO

Camargo & Rios (2012), Investigaram os desafios curriculares relacionados à evasão escolar dos alunos matriculados na 1ª série do ensino médio, entre os anos de 2007 e 2009, no município de Joaçaba, Santa Catarina, puderam afirmar que a pesquisa denotou que a dificuldade dos alunos/jovens conciliarem a escola/trabalho é a principal causa da evasão escolar na 1ª série do ensino médio, seguida da não participação e o apoio da família na escola e para prosseguimento dos estudos, o que acaba desmotivando os alunos/jovens e desencadeando o desinteresse pela escola nessa fase da vida. As principais causas apresentadas ao desinteresse dos alunos/jovens pela a escola, constatadas por meio da pesquisa, reside na escola pública não ser atrativa para os alunos/jovens e estes buscarem fora da instituição escolar, obter maior reconhecimento pelas suas conquistas.

Segundo Batista et.al. (2012), ensino médio, gradativamente desmantelado e sem identidade própria, apesar da LDB 9.394/1996 dizer o contrário, ao considerá-lo como etapa final da educação básica e assegurar a possibilidade de se integrar com a profissionalização, encontram-se numa zona nevoada, pois não permite ao estudante integrar-se ao ensino superior e dar prosseguimento aos seus estudos, como tampouco o habilita, adequadamente, para exercer uma função específica no mercado de trabalho. O elevado índice de evasão escolar nesse nível de ensino demonstra que há uma discrepância entre o legítimo, posto pela Lei e o real vivenciado pelos muitos estudantes das nossas escolas públicas brasileiras.

Segundo Torres (2010) Outras causas são apontadas na ampliação dos índices de evasão escolar no país:

Dentre os motivos alegados pelos pais ou responsáveis para a evasão dos alunos, são mais frequentes nos anos iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª séries/1º ao 9º ano) os seguintes: Escola distante de casa, a falta de transporte escolar, não ter adulto que leve até a escola, falta de interesse e ainda doenças/dificuldades dos alunos. Ajudar os pais em casa ou no trabalho, necessidade de trabalhar, falta de interesse e proibição dos pais de ir à escola são motivos mais frequentes alegados pelos pais a partir dos anos finais do ensino fundamental (5ª a 8ª séries) e pelos próprios alunos no Ensino Médio. Cabe lembrar que, segundo a legislação brasileira, o ensino fundamental é obrigatório para as crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, sendo responsabilidade das famílias e do Estado garantir a eles uma educação integral.

Batista et.al (2009) realizaram um estudo de caso sobre a evasão escolar no ensino médio e destacaram que, a escola parece ter recebido como função, posta por uma sociedade capitalista, a qual apresenta na sua estrutura, uma ideologia de desigualdade: a de reclassificar os alunos de diferentes classes sociais, tendo como critério suas motivações e potencialidades inatas. Essa função não é explicitada, porém ao discutir o fenômeno do fracasso escolar, uma das primeiras explicações que surge, está relacionada à origem social do educando. É inegável o processo de democratização do sistema educacional brasileiro. Assim, as pessoas menos favorecidas financeiramente estão tendo mais acesso à escola por meio do aumento do número de matriculas nas unidades de ensino. Entretanto, cabe considerar que somente o acesso não garante ao aluno êxito na continuidade de seus estudos.

9. EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO SUPERIOR

Fredenhagem et.al (2012) realizaram uma pesquisa dos motivos da evasão nos cursos ofertados pelo Instituto Federal de Brasília (IFB) durante o ano de 2010 e concluíram que dentre problemas de várias ordens, constata-se, portanto, que os estudantes trazem, de forma muito acentuada, carência básica, como alimentação (fruto de problemas financeiros), cansaço (poucas horas de sono/dificuldade de conciliar trabalho/estudo/distâncias/trânsito), os quais dão origem a outros problemas, como dificuldade de acompanhar o curso, desinteresse (gerados, por sua vez, pelo excesso de faltas) e outros mencionados, que formam, segundo nossa percepção, verdadeira cadeia de efeitos. Consequentemente culminam na evasão (ARAÚJO & SANTOS, 2012).

Segundo Reinert & Gonçalves (2010) em seus estudos sobre evasão escolar no curso de administração da Universidade Federal de Mato Grosso do sul, concluíram que a evasão escolar consiste em um fenômeno de preocupação dos educadores, seja na identificação das causas de sua origem, seja na consequência direta do resultado de seus trabalhos, enquanto instrumento de alteração de uma realidade pela educação e o profissionalismo. Ainda observaram que não foram as causas tradicionais de evasão mais conhecidas as que foram constatadas, tais como problemas econômicos, familiares, de trabalho, de geografia, de identidade com o curso, e outros que normalmente se manifestam nas primeiras séries ou ano do curso.

10. O PAPEL DA ESCOLA DIANTE DA INDISCIPLINA

O estudo da singularidade dos problemas de indisciplina para, Garcia (1999), é a melhor maneira de iniciar uma estratégia de prevenção dos problemas de indisciplina, é preciso como já dito anteriormente que o professor veja além dos atos de indisciplina, dos comportamentos dos alunos e que busque compreender quais são as necessidades do aluno, do grupo ao qual o aluno pertence, o autor adverte porem que esse é um processo difícil, visto que a indisciplina “não apresenta uma causa única, ou mesmo principal, eventos de indisciplina, mesmo envolvendo um sujeito único, costumam ter origem em um conjunto de causas diversas, e muito comumente reflete uma combinação complexa de causas”, para o autor a complexidade que a indisciplina se constitui é “parte do perfil da indisciplina e deve ser considerada, se desejamos compreende - lá e estabelecer soluções efetivas”. (GARCIA, 1999, p. 104). Segundo o mesmo autor o conceito de indisciplina: apresenta uma complexidade que precisa ser considerada. Um entendimento suficientemente amplo do conceito de indisciplina escolar precisa integrar diversos aspectos. É preciso, por exemplo, superar a noção arcaica de indisciplina como algo restrito à dimensão comportamental. Ainda, é necessário pensá-la em consonância com o momento histórico. O autor propõe que deixemos de lado as velhas práticas de resoluções de problemas de indisciplina, pois as mesmas não cabem mais no momento histórico ao qual estamos vivenciando, é preciso também que nos atentemos ao ambiente escolar que oferecemos aos alunos hoje, pois é necessário ter sempre claro que as necessidades de um determinado grupo não são as mesmas do outro, é preciso oferecer o mesmo conteúdo, o mesmo conhecimento a todos. Garcia (1999) pontua ainda que é necessário que as escolas se abram a outras perspectivas educacionais.

Segundo Oliveira (2005, p. 71), um fator que pode explicar a incidência dos comportamentos de indisciplina escolar é a ausência de estrutura da escola durante seu processo de democratização. A democratização da escola ocorreu sem que houvesse previamente uma estrutura básica que garantisse: acomodação adequada para os educandos (escolas e salas de aula com instalações apropriadas, carteiras escolares decentes e suficientes, espaço para recreação etc.); condições dignas de trabalho para professor (materiais didáticos, mobiliário adequado e equipamentos necessários); preparação do professor para lidar com as diferentes realidades dos educandos e, consequentemente, a qualidade da educação oferecida.

Para Cunha (2011), é fundamental que a escola se aproprie de uma postura transformadora que atenda aos anseios de sua comunidade por uma educação que trabalhe o ser humano na sua totalidade. A escola precisa ensinar para a vida, e isso pressupõe preparar as crianças e jovens com um conjunto de habilidades sociais e de instrumentos necessários. Para que possam desenvolver uma equilibrada autoestima, tomar decisões responsáveis relacionar-se adequadamente com os demais, resolver conflitos de forma positiva e adequada, entre outros (NUNES, 2011).

O trabalho para superação da indisciplina nas escolas não deve se resumir apenas na realização de ações pontuais, mas que sejam constantes e que possibilite uma reflexão para que o coletivo escolar busque suas próprias soluções, tendo em vista sua realidade e seu Projeto Político Pedagógico. Pois, acredita-se que a partir dessa reflexão-ação-reflexão a escola transforma-se em um ambiente de participação, de aprendizagem, de respeito, de responsabilidade, de formação do caráter e da cidadania e assim, contribui na formação de homens conscientes e comprometidos com uma sociedade mais justa e igualitária (Cunha, 2011).

Carvalho et al. (2006), entendendo que a questão da indisciplina deixou de ser um evento particular no cotidiano das escolas para se tornar um dos grandes problemas escolares da atualidade, analisam o fenômeno a partir do olhar do professor. Verificaram quais são as concepções de professores sobre a indisciplina escolar e, a partir destas, propuseram alternativas para a melhoria da qualidade das relações estabelecidas entre os sujeitos envolvidos no ambiente escolar e que interferem no processo de aprendizagem do aluno. A pesquisa foi realizada em uma escola estadual dacidade de Uberlândia/MG e contou com a participação de seis professoras. Por meio de entrevista a maioria dos professores acredita ser a indisciplina um mau comportamento, ressaltando que este fator tem relação direta com a família e o professor. Com relação aos fatores, todas as participantes consideraram ser a família o principal, explicando que a desestruturação desta pode colaborar para que a criança tenha dificuldades em ter limites, já que lhe faltam modelos a seguir ou orientação por parte dos adultos. Quanto à atuação frente à indisciplina foram apontadas algumas medidas como castigos, a conversa, os acordos entre professor e aluno como possíveis formas de atuação.

11. AFETIVIDADE

A afetividade pode ser definida em diferentes perspectivas, entre elas sob a perspectiva da filosofia, da psicologia e da pedagogia. Na perspectiva da pedagogia, afetividade deve considerar as emoções, que são expressões da vida afetiva e que são acompanhadas de reações e sentimentos. Como conceito de afetividade pode-se citar o amor como referência, pois o amor é definido através dos sentimentos, e, assim, a afetividade torna-se a dinâmica mais profunda e complexa de que o ser humano pode participar. (AMORIM e NAVARRO, 2012). Para Vygotsky (1998,) A afetividade é um elemento cultural que faz com que tenha peculiaridades de acordo com cada cultura. Elemento importante em todas as etapas da vida da pessoa, a afetividade tem relevância fundamental no processo ensino aprendizagem no que diz respeito à motivação, avaliação e relação-professor e aluno.

De acordo com Pereira (2012) afetividade com a criança é muito importante, porque eles estão na escola, longe da família, longe do pai e da mãe, o que eles querem em primeiro lugar é se sentir bem, se sentir amados, e ai depois disso que eles vão conseguir fazer outras coisas. A relação afetiva ou relação de apego, como se pode chamar também, vai sendo edificada desde a primeira infância e vai sendo elaborada durante toda a vida (RODRIGUES 2001). A afetividade deve ter importância central na formação escolar e integral da criança, desde o ponto de vista de que a criança é um ser complexo que não é dotado somente de razão, mas antes de afeto, componente fundamental para que a aprendizagem ocorra, já que está justamente na base da inteligência humana (GUIOTTI, 2011).

Mendonça e Tavares (2008) quando trabalhou a afetividade como fios condutores na educação concluíram que o afeto é, portanto essencial à criança é a base para do seu conhecimento processual, segundo o qual o conhecimento só produz mudanças na medida em que também é conhecimento afetivo.

Para Alencastro, (2009) a afetividade está muito presente no processo de aprendizagem, principalmente quando se trata de educação infantil. Ela é facilitadora deste processo e o professor um mediador. Nessa fase, a construção do limite é muito importante para a constituição de um indivíduo cidadão de direitos e com a consciência de que também tem deveres.

Na teoria de Piaget (1971) citado em Alencastro (2009), o desenvolvimento intelectual é considerado como tendo dois componentes: um cognitivo e um afetivo. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções. O afeto se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência, tornando difícil encontrar um comportamento apenas da afetividade, sem nenhum elemento cognitivo e vice-versa. O afeto é muito importante para que o profissional seja considerado um bom professor e mais ainda, para que o aluno se sinta importante e valorizado. O professor deve entender seus sentimentos, buscar soluções para as diversas dificuldades que os alunos apresentam preocupar-se com seus alunos por inteiro, tendo sensibilidade para entendê-los, buscar ações que os valorizem, independente de seu grau de desenvolvimento (MELLO e RUBIO, 2013). A afetividade manifestada num clima de acolhimento, ternura, empatia, gosto, desejo, inclinação e compreensão enriquecem as interações e trocas, facilitando a linguagem comunicativa entre os “sujeitos”, donos de ação e promovendo o desenvolvimento de suas potencialidades de forma integral.

12. CAPACIDADES DE DIÁLOGO COM A FAMÍLIA

Segundo Nunes (2008, p. 1), citado em Benette e Costa (2008) a família constitui o berço do processo de ensino e aprendizagem de todo ser humano e nele o aprendiz está sujeito a ser influenciado decisivamente de forma positiva ou negativa. A escola é frequentada por aqueles que tiveram uma boa formação na família, como também por pessoas que tiveram experiências negativas, gerando assim uma grande diversidade de alunos na sala de aula. Silva (2008) afirma que a família e a escola, são duas instituições diretamente ligadas ao ser humano em desenvolvimento, por isso carece interferir de maneira positiva, buscando pontos fundamentais que se efetive este ser de maneira saudável na sociedade presente.

A escola e a família, cada qual com seus valores e objetivos específicos na educação de uma criança, constituem uma estrutura intrínseca, onde quanto mais diferentes são, mais necessitam uma da outra. Desse modo, cabe a toda sociedade, não apenas aos setores relacionados à educação, transformar o cotidiano da escola e da família, através de pequenas ações modificadoras, para que a família compreenda a importância dos objetivos traçados pela escola, assim como o seu lugar de co-responsável nesse processo ( ALMEIDA et. al, 2008).

Para Silva e Guimarães (2011) o processo educativo da criança tem início na família, portanto quando ela chega à escola já tem internalizado conhecimentos e valores. Cabe à escola continuar este processo de conhecimento a partir de estratégias, que o professor oportuniza a criança, que lhe permite construir e reconstruir conhecimentos e valores, que a tornarão membro da sociedade em que vive e atua. A comunicação entre pais e professores deve ser uma via de mão dupla, na qual cada um compartilha informações e aprende com o outro para benefícios da criança. Essa complementaridade entre educação sistemática e educação familiar pressupõe a presença de diálogo entre pais e professores.

Pereira e Jesus (2009) em seus trabalhos sobre a importância do diálogo entre pais e professores para o desenvolvimento da criança nos ciclos iniciais , mencionam que o processo educativo deve ser oferecido tanto pela família quanto pela escola, pois o que se tem obtido dessa parceria é somente a delegação das responsabilidades, e a cobrança surge principalmente quando os resultados não são positivos. Muitas vezes a família responsabiliza a escola por não realizar seu papel corretamente, prejudicando seu filho. Ao mesmo tempo a escola converte o problema à família por problemas de comportamento, ocasionando trocas de acusações.

A afetividade, são protetores, sabem encontrar soluções para as dificuldades, têm o poder de tomar decisões sobre a vida dos filhos. A partir dessas relações com os pais, a criança vai desenvolver um sentimento de identidade vai aprender a se conhecer. Formará uma ideia de si, da sua aparência, das dimensões de seus movimentos corporais, de suas características psicológicas, seus desejos, suas capacidades e limitações. A autora salienta que no processo de formação da criança, o conteúdo do diálogo, a entonação da voz que a criança ouve as palavras de afeto, de amor ou de rispidez, agressividade ficarão nela marcados, contribuindo para o

13. FORMAÇÃO DO PROFESSOR

A formação de profissionais da educação precisa ressaltar a dimensão cultural da vida das crianças e dos adultos com os quais convivem, apontando para a possibilidade de as crianças aprenderem com a história vivida e narrada pelos mais velhos, do mesmo modo que os adultos concebam a criança como sujeito histórico, social e cultural. Reconhecer a especificidade da infância – sua capacidade de criação e imaginação - requer que medidas concretas sejam tomadas, requer que posturas concretas sejam assumidas (SILVA E GUIMARÃES 2011). De acordo com Kramer (2006) a formação de profissionais da educação é um desafio que exige uma ação conjunta entre as instâncias municipais, estaduais e federais. Sendo assim, busca-se o atendimento das necessidades e das possibilidades na formação desses profissionais, seja através da formação continuada, quanto na formação inicial.

Na formação de professores, o perfil do profissional que se deseja formar pressupõe que seja capaz do exercício de competências para um melhor desempenho no trabalho pedagógico. O que inclui uma ação didática para melhor qualificar a prática, pois requer uma concepção abrangente dos processos educativos implicados em determinantes sociais, políticos, econômicos, ideológicos, filosóficos, psicológicos e pedagógicos. Para entender essa configuração, é importante situar a prática em seu momento e em suas determinações históricas, o que nos remete a limites e a possibilidades na interpretação da prática pedagógica no cotidiano do trabalho docente (FERREIRA, 2011). Para Nimitt e Pinto (2008) a motivação é muito importante na formação do pedagogo, sendo responsável pelo fortalecimento de sua opção profissional e sua prática pedagógica. Por isso, é necessário conhecer as variáveis pessoais que influem no interesse e na motivação, assim como as formas de atuação do professor que podem interagir em sua prática pedagógica contribuindo nos mecanismos de motivação e no sucesso do processo ensino- aprendizagem.

Partindo dessa discussão, Oliveira (2005) adverte que os cursos de formação de professores têm propiciado discussões muito breves, superficiais e preocupantes relacionadas aos aspectos relação professor – aluno, disciplina – indisciplina, pois muitos professores saem dos cursos de formação com concepções utópicas sobre o aluno ideal, a sala de aula ideal, a escola ideal e, quando se vêem frente aos problemas de indisciplina, acabam não sabendo quais atitudes tomar.

Para Oliveira (2005), Oliveira e Reis (2005) o essencial seria que os cursos de formação propiciassem aos professores discussões que abrangessem os problemas comportamentais e de relação professor-aluno a partir de varias perspectivas e que levassem os futuros professores a conhecerem a pratica, a vivenciá-la.

14. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acredita-se que a questão da indisciplina é um processo que deve ser trabalhado gradativamente na prática, é preciso ir muito além de reuniões e conceitos teóricos. A evolução na transformação da indisciplina para disciplina é fator que teve ser trabalhado em parcerias escolas e responsáveis, os responsáveis devem estar presentes constantemente na educação do educando, fazer-se presente nas escolas, não só em momentos de convocações e reuniões.

Sabe-se que a ausência de uma prática de pensar sobre a evasão escolar nas escolas tem contribuído, em grande parte, para a disseminação e a legitimação de ideias já reproduzidas no dia-a-dia da escola, são elas: a de que a evasão é determinada apenas por fatores extraescolares, pela condição socioeconômica da família e pela desestruturação familiar.

O sistema educação Brasileiro também se faz responsável diante das indisciplinas e evasão escolares. Ser alunos é muito mais do que ser uma estatísticas quantitativa no senso escolar, nossos governos precisam estar atentos a isso, se o aluno não consegue cumprir as obrigações dentro de uma escola, certamente não teremos bons profissionais no mercado de trabalho. Investir em educação é um processo lucrativo para o Estado, uma vez que se gasta muito mais em instituições de reclusão e reabilitação.

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Milson Luiz Brandao
  • Milson Luiz Brandao Professor
  • Formação em Gestão ambiental, geografia,pedagogia e agronegócio. Pós-graduado em Saneamento ambiental, supervisão pedagógica e gestão escolar. Possui curso tecnico em Geoprocessamento. Professor...

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